Novas evidências científicas ampliam o conhecimento sobre estratégias de vacinação contra a varicela
Pesquisas publicadas recentemente trazem novos dados sobre o esquema de duas doses e contribuem para o debate científico sobre o momento mais adequado para a administração da dose de reforço

A vacinação é uma das principais estratégias para prevenir a varicela, doença infecciosa causada pelo vírus varicela-zóster. Embora, na maioria dos casos, apresente evolução benigna, a infecção pode provocar complicações, especialmente em pessoas mais vulneráveis, tornando a imunização uma importante medida de saúde pública.
Dois estudos recentes conduzidos por pesquisadores chineses e publicados em periódicos científicos internacionais ampliam as evidências sobre estratégias de vacinação contra a doença. Em conjunto, eles analisam tanto a efetividade do esquema de duas doses quanto o intervalo mais adequado para a administração da dose de reforço, contribuindo para o avanço do conhecimento científico na área.
Mais de 50 mil acompanhamentos analisados
Publicado na revista científica Vaccines, o primeiro estudo acompanhou crianças de 1 a 12 anos entre julho de 2022 e agosto de 2025, em cinco regiões da província chinesa de Anhui.
Ao final da pesquisa, foram incluídos 50.054 períodos analisáveis, totalizando 125.351 pessoas/ano de acompanhamento, com tempo médio de seguimento de 30 meses.
Os participantes foram acompanhados trimestralmente, com os registros de vacinação e ocorrência da doença verificados pelo China CDC (Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças) e do Sistema de Gestão do Programa de Imunização da província de Anhui. Apenas os casos de varicela registrados pelo menos 42 dias após a vacinação foram considerados na análise de efetividade.
O que o estudo observou
Entre crianças de 1 a 3 anos, o estudo estimou uma efetividade vacinal ajustada de 79,1% para uma dose, em comparação com crianças não vacinadas.
Já entre crianças de 4 a 12 anos que já haviam recebido uma dose anteriormente, a administração de uma segunda dose apresentou uma efetividade incremental de 65,0%.
As análises também indicaram redução da incidência da doença conforme aumentava o número de doses administradas: 1,38 caso por mil pessoas/ano entre crianças não vacinadas, 0,96 após uma dose e 0,44 após duas doses.
Segundo os autores, as análises por faixa etária também mostraram efetividade incremental de 60,1% entre crianças de 4 a 6 anos e de 72,7% entre aquelas de 7 a 12 anos. Os resultados permaneceram consistentes nas análises de sensibilidade realizadas pelos pesquisadores.
Evidências sobre o intervalo entre as doses
Um segundo estudo avaliou diferentes intervalos entre a primeira e a segunda dose da vacina contra a varicela.
Os pesquisadores analisaram como o tempo entre as aplicações influencia a resposta imunológica e concluíram que diferentes esquemas podem produzir respostas robustas, oferecendo novas evidências para subsidiar discussões científicas sobre calendários vacinais e estratégias de imunização. Os resultados também contribuem para ampliar o conhecimento sobre o momento mais adequado para a administração da dose de reforço.
Ao ampliar o conhecimento disponível sobre estratégias de vacinação contra a varicela, esses estudos reforçam a importância da pesquisa científica na geração de evidências que apoiam futuras discussões em saúde pública.

