C-Level | Folha de S.Paulo | Dimas Covas fala sobre o papel estratégico do Brasil para a SINOVAC

Em entrevista ao C-Level, videocast da Folha de S.Paulo, o Prof. Dr. Dimas Covas, cientista-chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da SINOVAC no Brasil, abordou temas como inovação em saúde, pesquisa e desenvolvimento, o papel estratégico do Brasil para a companhia e as perspectivas para o futuro da biotecnologia. Confira a entrevista completa no canal da Folha no YouTube.

Veja a entrevista na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=a9bfUdN-8cg&t=1s

Do laboratório à vida real: como se constrói a segurança das vacinas

Por Dimas Covas*

Dimas Covas, cientista-chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Sinovac.
Crédito da foto: Leo Ramos Chaves

Nenhuma vacina chega à população por acaso. Antes de integrar um programa de imunização, ela percorre um longo caminho de pesquisa científica, avaliação ética, estudos clínicos, análise regulatória e monitoramento permanente. Em tempos de circulação acelerada de informações, e também de desinformação, compreender esse percurso é essencial para fortalecer a confiança pública em uma das ferramentas mais importantes da medicina moderna.

A segurança das vacinas não é uma promessa abstrata nem um ato de fé. É uma construção científica. Ela começa muito antes da aplicação da primeira dose em seres humanos e continua depois que o produto passa a ser utilizado em larga escala. Trata-se de um processo contínuo de geração, análise e revisão de evidências.

Ao longo da história, poucas intervenções tiveram impacto tão expressivo na redução da mortalidade e no controle de doenças infecciosas quanto as vacinas. Esse resultado, porém, não se explica apenas pela eficácia dos imunizantes. Ele depende também da existência de sistemas rigorosos de desenvolvimento, avaliação e vigilância capazes de identificar riscos, medir benefícios e orientar decisões de saúde pública.

Tudo começa no laboratório. Antes de uma candidata vacinal ser testada em seres humanos, pesquisadores estudam o agente infeccioso, investigam possíveis alvos de proteção e avaliam a resposta imunológica esperada. Em seguida, vêm os estudos não clínicos, realizados em modelos experimentais, que buscam identificar sinais de toxicidade e possíveis riscos. Somente quando essa etapa apresenta resultados satisfatórios é que se pode avançar para os estudos clínicos.

Os estudos clínicos são uma das fases mais decisivas desse processo. Conduzidos sob protocolos científicos rigorosos e supervisão ética, eles permitem avaliar, de forma progressiva, como uma vacina se comporta em seres humanos. O objetivo é responder a perguntas fundamentais: a vacina é segura? Estimula uma resposta imunológica adequada? Protege contra a doença? Os benefícios superam os riscos observados?

Esse desenvolvimento ocorre por etapas. Nas fases iniciais, participa um número menor de voluntários, o que permite avaliar os primeiros dados de segurança e resposta imunológica. À medida que o conhecimento aumenta, os estudos passam a incluir grupos maiores e mais diversos. Nas fases avançadas, milhares ou dezenas de milhares de pessoas podem ser acompanhadas, ampliando a capacidade de avaliar segurança, eficácia e desempenho em condições mais próximas da realidade.

Essa progressão é essencial. Cada etapa reduz incertezas e gera informações que são analisadas por pesquisadores, comitês de ética e autoridades regulatórias. Não se trata de confirmar uma expectativa previamente definida, mas de submeter uma hipótese científica ao teste dos dados. É esse processo que transforma uma candidata vacinal em um produto capaz de ser avaliado para uso populacional.

Ainda assim, a avaliação da segurança não termina com a autorização regulatória. Esse é um ponto muitas vezes pouco compreendido pela população. Depois da aprovação, as vacinas continuam sendo monitoradas por sistemas de farmacovigilância, que acompanham seu desempenho em condições reais de uso. Essa vigilância permite identificar eventos raros, atualizar recomendações, ampliar o conhecimento científico e reforçar a proteção da população.

A pandemia de COVID-19 tornou esse processo mais visível. Em um cenário de emergência global, a sociedade acompanhou de perto discussões sobre eficácia, segurança, aprovação regulatória e monitoramento de eventos adversos. Também ficou evidente que a segurança vacinal não depende de uma única instituição nem de uma única etapa. Ela resulta da articulação entre ciência, transparência, regulação, vigilância e responsabilidade pública.

É natural que a população queira entender como uma vacina é desenvolvida, aprovada e acompanhada. Esse interesse deve ser valorizado. A confiança em saúde pública não se constrói pela imposição de respostas simples, mas pela explicação clara dos processos que sustentam as decisões. Quanto melhor a sociedade compreende como a ciência avalia riscos e benefícios, mais preparada ela estará para enfrentar informações falsas, dúvidas legítimas e novos desafios sanitários.

Vacinas não são apenas produtos biológicos. São instrumentos de proteção coletiva. Sua segurança é construída no laboratório, testada nos estudos clínicos, avaliada pelas autoridades regulatórias e acompanhada continuamente na vida real. Por isso, fortalecer a cultura da pesquisa clínica e da farmacovigilância é também fortalecer a saúde pública.

Em um mundo marcado por novas ameaças infecciosas, mudanças ambientais, mobilidade global e rápida circulação de informações, a confiança na ciência será cada vez mais necessária. Mas essa confiança precisa estar ancorada em evidências, transparência e instituições capazes de proteger a população. É assim que a segurança das vacinas se constrói: não como um ponto de chegada, mas como um compromisso permanente com a vida.

(*) Dimas Covas é médico e pesquisador, professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, pesquisador em terapia celular e vacinas, ex-diretor do Instituto Butantan e cientista-chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da SINOVAC.

Este artigo de Dimas Covas foi destaque na VEJA, na seção «Letra de Médico». Acesse o conteúdo na íntegra: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/do-laboratorio-a-vida-real-como-se-constroi-a-seguranca-das-vacinas/

O que profissionais de saúde gostariam que mais famílias soubessem sobre vacinação infantil

Especialistas alertam para a importância da vacinação diante da circulação crescente de desinformação e da retomada de doenças que já eram consideradas controladas em diversas regiões do mundo

Nos últimos anos, os profissionais de saúde passaram a acompanhar um cenário que combina dois desafios importantes: a queda das coberturas vacinais e o aumento da circulação de informações equivocadas sobre vacinas. Ao mesmo tempo, doenças imunopreveníveis que pareciam controladas voltaram a registrar surtos em diferentes partes do mundo, reacendendo discussões sobre a importância da vacinação infantil. 

Para ajudar pais e responsáveis a navegar por esse cenário, o pediatra e infectologista Prof. Dr. Otávio Cintra e o médico hematologista Prof. Dr. Dimas Covas, que hoje ocupa a posição de cientista-chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da SINOVAC no Brasil, reuniram cinco mensagens que consideram fundamentais quando o assunto é a proteção das crianças.

1. O sistema imunológico infantil está preparado para receber várias vacinas

Uma dúvida comum entre pais e responsáveis é se o grande número de vacinas administradas nos primeiros meses de vida poderia sobrecarregar o organismo das crianças. Segundo o Dr. Otávio, esse receio não encontra respaldo científico. 

«O sistema imunológico da criança entra em contato diariamente com milhares de estímulos do ambiente. As vacinas representam apenas uma pequena fração dessa exposição e foram desenvolvidas justamente para ensinar o organismo a se proteger de forma segura», explica ele. 

O especialista reforça que cada vacina e cada dose possuem uma função específica dentro da estratégia de proteção construída ao longo da infância. Ainda reforça que seguir o calendário vacinal recomendado é a melhor forma de garantir proteção nos momentos de maior vulnerabilidade.

2. Vacinação é um cuidado para toda a vida, não apenas uma etapa da infância

Segundo o especialista, uma das dúvidas mais frequentes entre os pais é a necessidade de reforços vacinais. No entanto, muitas vacinas dependem de esquemas completos para garantir níveis adequados de proteção. 

«A vacinação é um cuidado ao longo da vida. Existem vacinas que exigem reforços e esquemas completos para garantir uma proteção adequada. Não é algo que termina na infância», explica o Dr. Otávio Cintra. 

«A vacinação é uma estratégia de proteção individual, mas também de proteção comunitária. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a circulação dos agentes infecciosos e maior a proteção das pessoas mais vulneráveis», finaliza Dimas Covas.

3. O fato de você não ver mais determinadas doenças é justamente uma prova de que as vacinas funcionam 

Décadas de vacinação reduziram drasticamente a circulação de diversas doenças em diferentes partes do mundo.

Paradoxalmente, esse sucesso fez com que muitas famílias deixassem de conviver com os impactos dessas enfermidades e passassem a enxergá-las como problemas do passado. 

Segundo os especialistas, essa mudança na percepção de risco ajuda a explicar parte da hesitação vacinal observada atualmente e o retorno de surtos em diferentes regiões do mundo. 

«Quando as taxas de vacinação ficam abaixo dos níveis recomendados, perdemos uma barreira importante de proteção coletiva. Isso favorece o retorno de doenças que haviam sido controladas por décadas e, quando a cobertura vacinal cai, a doença encontra espaço para voltar a circular», explica Dimas Covas.

4. Informação confiável faz diferença na proteção das crianças 

Muitos dos receios apresentados por pais no consultório têm origem em informações falsas ou descontextualizadas compartilhadas nas redes sociais. 

«O desafio hoje não é apenas oferecer vacinas. É ajudar as famílias a navegar em um ambiente com excesso de informação e, muitas vezes, desinformação», afirma Dr. Otávio. 

Por isso, especialistas recomendam que dúvidas sejam discutidas com profissionais de saúde e que as informações sejam buscadas em fontes confiáveis. 

«Ciência e informação de qualidade são aliadas fundamentais da vacinação. Quanto mais esclarecida a população estiver, melhores tendem a ser os resultados para toda a sociedade», acrescenta Dimas.

5. Vacinar é uma das decisões de cuidado mais importantes da infância 

Para Dr. Otavio, existe uma forma simples de resumir a importância da vacinação infantil: «O efeito colateral das vacinas em crianças é criar adultos.»

Muitas doenças hoje são pouco conhecidas justamente porque a vacinação foi capaz de reduzir drasticamente sua ocorrência. «Com a vacinação, as crianças deixam de adoecer, deixam de sofrer complicações graves e têm a oportunidade de crescer com saúde. Mais do que evitar doenças, a vacinação representa um investimento no futuro das crianças e na proteção de toda a comunidade», explica o profissional.

Na mídia

O tema foi destaque no portal da Revista Crescer, uma das principais publicações e referência sobre infância no Brasil. Acesse a matéria completa aqui: https://revistacrescer.globo.com/saude/noticia/2026/06/vacinacao-infantil-5-coisas-que-profissionais-de-saude-gostariam-que-voce-se-importasse.ghtml

Mundo Corporativo | CBN | SINOVAC en Brasil: Alianzas con laboratorios nacionales

En entrevista con el programa Mundo Corporativo, de CBN, el científico Dimas Covas destacó que la ciencia es un proceso continuo de producción y revisión de evidencias.

Recientemente, en una entrevista con el programa Mundo Corporativo, de CBN, el médico y científico Dimas Covas destacó un punto central para el debate contemporáneo sobre la salud pública: la ciencia debe ser comprendida como un proceso continuo y no como un conjunto de respuestas definitivas.

Al abordar los desafíos enfrentados durante la pandemia y el papel de las instituciones científicas en la toma de decisiones, Covas reforzó que la confianza no se construye únicamente con resultados, sino con método, transparencia y actualización permanente de datos.

La reflexión dialoga directamente con el escenario actual de la inmunización. En un entorno de alta circulación de información y cuestionamientos frecuentes, comprender cómo se generan, evalúan y se transforman las evidencias en decisiones regulatorias es una parte fundamental de la construcción de la confianza pública.

Es en este contexto que se vuelve esencial discutir el camino que conecta la investigación científica, la evaluación técnica independiente, el monitoreo continuo y las políticas de vacunación —y cómo este proceso sostiene decisiones que impactan a millones de personas.

Dimas Covas, Científico Jefe de I+D+i de SINOVAC en Brasil, participó en el programa Mundo Corporativo, de la Radio CBN, en entrevista con Mílton Jung, para hablar sobre la llegada de la farmacéutica a la región y los próximos pasos de la compañía en el país.

Dimas Covas, Científico Jefe de I+D+i de SINOVAC en Brasil, participó en el programa Mundo Corporativo, de la Radio CBN, en entrevista con Mílton Jung, para hablar sobre la llegada de la farmacéutica a la región y los próximos pasos de la compañía en el país.

Vea el programa completo.

Sinovac é destaque na CNN

Correspondente da CNN Brasil visitou a fábrica da Sinovac em Pequim, na China, e detalhou a parceria estabelecida com o Brasil como parte de uma estratégia de transferência de tecnologia e fabricação local de imunizantes. Aliada estratégica durante a pandemia, a Sinovac agora se estabelece como parceira em projetos de longo prazo para o fortalecimento da indústria de vacinas, visando reduzir a dependência de insumos importados e ampliar a capacidade nacional. A parceria estabelecida entre a farmacêutica chinesa e a brasileira Eurofarma para a criação do Instituto Brasil-China para Inovação em Biotecnologia e Doenças Infecciosas e Degenerativas (iBRID) também foi destaque.

Confira a reportagem na íntegra aqui: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/acordo-entre-brasil-e-china-deve-impulsionar-producao-de-vacinas-no-pais/

Sinovac é destaque na IstoÉ Dinheiro

O CEO da Sinovac Biotech, Weidong Yin, comentou em entrevista sobre a expansão global da farmacêutica e destacou ações recentes na América Latina, com foco em parcerias firmadas no Brasil. A empresa, que já possui parcerias estabelecidas em países como Colômbia e Turquia, acumula cases de sucesso na área de transferência de tecnologia e respostas rápidas a emergências de saúde.

Confira a entrevista na íntegra aqui: Brasil é eixo estratégico para a expansão global da Sinovac, diz CEO