Dose de reforço contra a poliomielite pode ser aplicada com outras vacinas sem comprometer segurança ou eficácia, aponta estudo clínico da SINOVAC

Pesquisa de fase 4 com cerca de 900 crianças demonstra que a coadministração da vacina inativada contra o poliovírus mantém resposta imunológica e perfil de segurança semelhantes aos da aplicação isolada.

A sempre positiva ampliação da cobertura vacinal infantil depende não apenas da disponibilidade de imunizantes eficazes, mas também de estratégias que tornem o calendário de vacinação mais simples, acessível e viável para famílias e sistemas de saúde. Nesse contexto, a aplicação de diferentes vacinas no mesmo dia – prática conhecida como coadministração de vacinas – tem ganhado relevância por reduzir atrasos, otimizar recursos e ampliar a adesão às campanhas de imunização.

Um estudo clínico de fase 4 conduzido pela SINOVAC, publicado na revista científica internacional Vaccines em outubro de 2025, avaliou a aplicação da dose de reforço da vacina inativada contra a poliomielite (IPV), administrada isoladamente ou na mesma visita e no mesmo dia em que outras vacinas pediátricas de rotina.

Os resultados indicam que a coadministração mantém níveis equivalentes de proteção imunológica e um perfil de segurança comparável ao da administração separada.

O que é o poliovírus e por que a vacinação é essencial

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o poliovírus é o agente causador da poliomielite, uma doença viral altamente infecciosa que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, sobretudo pela via fecal-oral, por meio de água ou alimentos contaminados. O vírus se multiplica no intestino e, em alguns casos, pode invadir o sistema nervoso, provocando paralisia permanente.

A maioria das infecções é assintomática ou apresenta sintomas leves, mas não há tratamento específico. Por isso, a vacinação é a principal estratégia de prevenção e controle.

Desde o lançamento da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, em 1988, os casos de poliovírus caíram mais de 99% no mundo. Dois dos três tipos do vírus já foram erradicados, e a circulação endêmica hoje se restringe a poucos países.

Nas Américas, a vacinação permitiu a certificação de eliminação da doença em 1994, um marco histórico para a saúde pública. No entanto, dez anos depois, em 2024, apenas 83% das crianças receberam a terceira dose da vacina – abaixo dos 95% necessários para prevenir surtos.

Enquanto a doença não for erradicada globalmente, o risco de reintrodução permanece. Isso significa que a proteção não é apenas local, mas coletiva.

Ainda de acordo com a OMS, sem a erradicação definitiva, a poliomielite pode voltar a causar até 200 mil novos casos por ano ao longo de uma década. Por isso, manter altas coberturas vacinais é essencial para evitar retrocessos e proteger coletivamente as crianças.

Como foi conduzido o estudo clínico

A pesquisa envolveu 889 crianças entre 18 e 22 meses de idade, distribuídas aleatoriamente em três grupos:

  • reforço contra poliomielite isoladamente
  • poliomielite + vacina inativada contra hepatite A
  • poliomielite + vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola – SCR)

As vacinas foram aplicadas no mesmo dia, em locais anatômicos distintos, conforme as recomendações técnicas de imunização. Por se tratar de um estudo de fase 4 – etapa realizada após a aprovação regulatória – o objetivo foi avaliar a segurança e o desempenho da vacina em condições reais de uso, refletindo a rotina dos programas de vacinação.

Resultados: produção de anticorpos e segurança preservadas

Os dados mostraram resultados consistentes entre todos os grupos.

Produção de anticorpos (imunogenicidade)

Todas as crianças desenvolveram níveis protetores de anticorpos contra o poliovírus em até 30 dias, independentemente da estratégia de aplicação.

Segurança

Os eventos adversos observados foram, em sua maioria, leves ou moderados, como dor local ou febre baixa, sem registro de reações graves relacionadas à vacinação.

Na prática, isso indica que a dose de reforço contra a poliomielite pode ser administrada junto com outras vacinas sem perda de eficácia ou aumento de risco, facilitando sua incorporação ao calendário infantil.

Por que a coadministração é estratégica para a saúde pública

A possibilidade de aplicar vacinas simultaneamente traz benefícios diretos para os sistemas de saúde:

  • menos visitas aos serviços de vacinação
  • maior adesão das famílias
  • redução de atrasos vacinais
  • otimização de equipes e infraestrutura
  • diminuição de custos operacionais
  • ampliação da cobertura em menos tempo

Em campanhas de grande escala, esses fatores contribuem para proteger mais crianças rapidamente – um aspecto essencial para doenças evitáveis por vacinação como a poliomielite.

O compromisso da SINOVAC com evidência científica

Ao conduzir estudos clínicos pós-licenciamento e publicar os resultados em periódicos publicações científicas avaliadas por especialistas independentes, a SINOVAC reforça seu compromisso com segurança vacinal, monitoramento contínuo e produção de evidências científicas robustas.

A integração entre pesquisa, produção em escala e cooperação com autoridades sanitárias é parte do esforço para fortalecer programas de imunização e ampliar o acesso à prevenção de doenças preveníveis por vacina na América Latina e no mundo.

Acesse o estudo na íntegra.


Referências

SINOVAC avança em parceria com o Governo Federal e o Ministério da Saúde para produzir vacinas no Brasil

Em Brasília, Weining Meng, vice-presidente global de negócios da SINOVAC, reuniu-se com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para avançar na produção local das vacinas de raiva humana e varicela

«A SINOVAC está pronta para avançar nesta nova fase de presença sólida no Brasil.” Meng

A SINOVAC avançou, nesta quinta-feira (04/12), na cooperação com o Governo Federal e o Ministério da Saúde para viabilizar a produção local das vacinas de raiva humana e varicela para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre Padilha receberam Weining Meng, vice-presidente global de negócios da SINOVAC, para alinhar os próximos passos das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), acordos que envolvem transferência de tecnologia e produção nacional.

“Investir na produção local de vacinas essenciais significa focar na prevenção de doenças e na capacidade de salvar vidas. A SINOVAC está pronta para avançar nesta nova fase de presença sólida no Brasil”, afirmou Meng.

Delegação da SINOVAC se reúne com vice-presidente Geraldo Alckmin em Brasília: Foto: Vice-presidência.

Alckmin destacou o caráter estratégico da cooperação: “O governo brasileiro assumiu o compromisso, com a Nova Indústria Brasil (NIB), de reduzir nossa dependência externa em medicamentos, vacinas, equipamentos médicos e tecnologias de saúde. E essa parceria inédita com a SINOVAC é um importante passo nessa direção”. A agenda reforça a expansão da empresa no país e consolidou o papel do Brasil como polo-chave na estratégia latino-americana da companhia chinesa.

Confira abaixo galeria de fotos dos encontros:

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04-12-2025 Weidong Yin, CEO da SINOVAC

SINOVAC e Tecpar iniciam trabalhos para produção de vacinas

Encontro no Paraná contou com a presença do vice-presidente da SINOVAC para a América Latina, Weining Meng e delegação

Foi dada a largada para a parceria que irá resultar no fortalecimento do sistema de saúde público brasileiro!

Aconteceu em 25 de novembro de 2025 a primeira reunião de trabalho entre a SINOVAC e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), em Curitiba. Um dia após formalização do contrato com o Ministério da Saúde para fornecimento de vacinas para o Sistema Único de Saúde (SUS), a SINOVAC e o Tecpar iniciaram o projeto para a produção conjunta de vacinas contra a raiva humana.

SINOVAC e Tecpar iniciam trabalhos para a produção de vacinas. Foto: Hedeson Alves/Tecpar

O objetivo do encontro, que marcou o início da parceria, foi conectar as equipes brasileiras e chinesas para começar a avaliação dos prazos estipulados de transferência de tecnologia e para iniciar as providências do plano de trabalho que será apresentado ao Ministério da Saúde no início do próximo ano.

Reunião na sede do Tecpar marca o início da parceria entre o instituto e a SINOVAC. Foto: Hedeson Alves, Tecpar.

“Vamos trabalhar em todo o planejamento para entregar os produtos da PDP o mais rápido possível para a sociedade brasileira”, afirmou Dimas Covas, cientista-chefe e pesquisa e desenvolvimento da SINOVAC. “O mundo tem enfrentado falta de algumas vacinas que vamos suprir com a nossa parceria, que é importante para o Tecpar, que volta a produzir vacinas humanas, e para o Paraná”, enfatizou.

A intenção é que as vacinas contempladas na PDP sejam fabricadas em Maringá. No mês de novembro, a obra de implantação da infraestrutura do Parque Tecnológico Industrial da Saúde do Tecpar na cidade alcançou 50% de execução e segue avançando com a expectativa de ser finalizada até 2026.

“O Tecpar vai ser o único e exclusivo fornecedor da vacina de raiva humana no Brasil. Hoje é início de uma grande parceria de sucesso, que reafirma o papel de laboratório público oficial do instituto e coloca o Paraná entre os principais produtores de vacinas para a saúde humana no país”, afirmou o diretor-presidente do instituto, Eduardo Marafon.

Delegações da SINOVAC e do Tecpar reunidas em Curitiba: parceria sólida. Foto: Hedeson Alves, Tecpar.

Sinovac é destaque na CNN

Correspondente da CNN Brasil visitou a fábrica da Sinovac em Pequim, na China, e detalhou a parceria estabelecida com o Brasil como parte de uma estratégia de transferência de tecnologia e fabricação local de imunizantes. Aliada estratégica durante a pandemia, a Sinovac agora se estabelece como parceira em projetos de longo prazo para o fortalecimento da indústria de vacinas, visando reduzir a dependência de insumos importados e ampliar a capacidade nacional. A parceria estabelecida entre a farmacêutica chinesa e a brasileira Eurofarma para a criação do Instituto Brasil-China para Inovação em Biotecnologia e Doenças Infecciosas e Degenerativas (iBRID) também foi destaque.

Confira a reportagem na íntegra aqui: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/acordo-entre-brasil-e-china-deve-impulsionar-producao-de-vacinas-no-pais/