Cintia Lucci destaca avanço da biotecnologia chinesa e oportunidades para o Brasil durante a SPWI 2026
Executiva abordou os impactos da inovação chinesa em vacinas, terapias avançadas e transferência de tecnologia para o desenvolvimento do setor de saúde na América Latina
A executiva da Sinovac, Cintia Lucci compartilhou uma análise sobre a rápida evolução da biotecnologia chinesa, os novos movimentos globais da indústria de vacinas e o papel estratégico do Brasil no avanço da inovação em saúde na América Latina durante o evento São Paulo Week Innovation (SPWI) 2026, realizada na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em São Paulo.
Integrando o painel “O Futuro da Parceria Brasil-China”, a diretora da farmacêutica chinesa destacou como a China vem consolidando sua posição como um dos principais polos globais de desenvolvimento em imunobiológicos, terapias celulares e terapias gênicas. Segundo ela, esse movimento é resultado de décadas de planejamento estratégico, investimentos estruturados em ciência e tecnologia e fortalecimento de toda a cadeia produtiva do setor.
“Quando olhamos para o mercado de vacinas em 2010, cerca de 80% dos imunizantes disponíveis no mundo estavam concentrados em cinco empresas dos Estados Unidos e da Europa. Hoje, esse cenário já mudou significativamente com a entrada da China e da Índia”, afirmou.
A executiva ressaltou que o avanço chinês não ocorreu de forma isolada ou recente, mas como consequência de políticas públicas de longo prazo voltadas à formação de talentos, financiamento de pesquisa, incentivo à inovação e ampliação da infraestrutura industrial. Segundo ela, o país investiu de forma integrada em universidades, desenvolvimento científico, linhas de crédito e capacidade fabril.
Cintia também destacou a velocidade de execução e a escala da indústria chinesa como fatores decisivos para a competitividade global do setor. Como exemplo, mencionou a construção de uma planta de vacinas da Sinovac na Turquia em apenas 14 meses, prazo considerado extremamente reduzido para os padrões internacionais.
“A parceria com a China vai além da transferência de tecnologia. Ela envolve acesso a equipamentos, inteligência industrial, ganho de escala e redução de custos de transação”, explicou.
Ao abordar o cenário brasileiro, Cintia afirmou que o país possui atributos estratégicos relevantes para se consolidar como porta de entrada da inovação chinesa na América Latina. Entre eles, destacou o tamanho do mercado brasileiro, a robustez das instituições de saúde e o reconhecimento internacional da Anvisa.

“Quando um produto é registrado no Brasil, existe uma grande possibilidade de ele ser posteriormente registrado em outros países da América Latina. Isso torna o país uma referência regional importante”, observou.
A executiva também chamou atenção para o avanço acelerado das terapias avançadas na China, especialmente em áreas como terapia celular e terapia gênica. Segundo ela, tecnologias que ainda estão em fase experimental em diversos países já fazem parte da prática clínica no mercado chinês, com empresas operando em larga escala e desenvolvendo novas aplicações terapêuticas.
“Na China, muitas dessas tecnologias já ultrapassaram a fase experimental e entraram em um ambiente de forte competição e ganho de eficiência. Existe uma velocidade de desenvolvimento muito impressionante”, comentou.
Durante o painel, Cintia ainda abordou os modelos de parceria entre empresas privadas e instituições públicas brasileiras, destacando iniciativas de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e oportunidades futuras de joint ventures voltadas ao fortalecimento da capacidade tecnológica local.
Atualmente, a Sinovac mantém duas PDPs em andamento com o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), reforçando o compromisso da companhia com o desenvolvimento do ecossistema de saúde brasileiro e latino-americano.
Economista de formação, Cintia Lucci possui trajetória multidisciplinar nas áreas de gestão, neurociência e filosofia. É mestre pela Sorbonne Université e pela Universidade de São Paulo (USP), com estudos de doutorado desenvolvidos na École Normale Supérieure. Atualmente, lidera a expansão estratégica da Sinovac na América Latina, com atuação em relações institucionais, desenvolvimento de mercado e posicionamento corporativo.

